quarta-feira, 13 de maio de 2026

O CHAMADO

O título parece nome de filme de terror. E, para mim, virou exatamente isso.

Tudo começou em um dia aparentemente comum, quando recebi uma ligação do Dr. Gato pedindo que eu comparecesse ao consultório dele. Naquele momento, eu vivia uma fase intensa, cheia de excessos, desejos e segredos com Edy sabendo de algumas coisas… e outras não.

Ignorei a solicitação. Por mais sedutor e irresistível que Dr. Gato fosse, preferi fingir que nada estava acontecendo. 

Dias depois, ele ligou novamente. Dessa vez, sua voz não tinha o mesmo tom calmo e provocador. Havia algo diferente. Mais frio. Mais sério.

Falou poucas palavras. Confirmou horário, exigiu minha presença. Eu respondi que iria. Não fui. Nem sequer dei satisfação.

Poucos dias depois, Cidinha apareceu na porta da minha casa, completamente transtornada. Gritava me chamando de puta e biscate sem o menor constrangimento, enquanto meus pais ouviam tudo da sala.


Pedi que falasse baixo. Ela respondeu com um tapa no meu rosto. A ardência veio acompanhada do aviso:
-"Você sabe muito bem o que fez e no que se comprometeu."

Eu havia ignorado assuntos importantes tratados com Dr. Gato. Regras. Compromissos. Coisas combinadas que, por irresponsabilidade minha, deixei cair no esquecimento.

Meus pais assistiam à cena sem entender nada. Quando entrei, queriam explicações. Não consegui falar. Apenas pedi que me deixassem em paz.

Então veio um novo contato. Dessa vez, não houve convite.
Apenas a confirmação do dia, do horário… e a frase que me gelou inteira:

-" Sua presença é obrigatória."

Dessa vez eu fui.  Dr. Gato me recebeu sozinho no consultório. O ambiente parecia diferente. Mais silencioso. Mais pesado.

Sentamos, ele começou a fazer perguntas. Queria entender minha ausência, minhas fugas, meus sumiços.

Eu não conseguia responder. As palavras travavam na garganta.

Então ele começou a relatar situações íntimas demais, detalhes específicos demais. Parecia ter presenciado tudo pessoalmente ou como se Edy tivesse contado cada passo meu.

Acusei Edy de ter aberto a boca. Dr. Gato apenas me olhou, sério, negando lentamente com a cabeça.

Sem dizer mais nada, levantou-se. Mandou que eu tirasse a roupa. Minhas mãos tremiam enquanto obedecia. Ele colocou uma coleira em meu pescoço e prendeu a guia. Em seguida, ordenou que eu ficasse de quatro.

Meu coração disparou. Fui conduzida até outro cômodo privativo do consultório.

Quando a porta se abriu, o choque veio de uma vez só. Cidinha estava nua, ajoelhada diante da parede, marcada pelo corpo inteiro.

Então, ironicamente, Dr. Gato apontou para ela e disse:
-" Essa é a “Edy” que você acusou lá atrás."

Antes mesmo que eu processasse aquilo, meus olhos encontraram outra figura no ambiente. Na poltrona, observando tudo em absoluto silêncio, estava Rosecleide… a ex de Edy.

A Sra. Miin.

Senti minhas pernas fraquejarem. Ela me encarava com tranquilidade desconcertante, enquanto fazia perguntas simples às quais eu só conseguia responder com sílabas desconexas.

Por dentro, minha vontade era virar as costas e fugir dali.
Mas eu já entendia, tarde demais, que não estava mais no controle de absolutamente nada.

Dr. Gato perguntou de onde nos conhecíamos.

Fiquei ouvindo a conversa entre eles, tentando entender como tantos caminhos improváveis tinham se cruzado daquela forma. O mundo parecia pequeno demais para tantas coincidências.

Nervosa, tentei me desculpar novamente pelo encontro anterior. Fui ignorada. Uma palmada forte me interrompeu.
-"Relate exatamente o que aconteceu."

Comecei a narrar superficialmente. O tapa no rosto veio seco. Rosecleide me encarou com firmeza:

-" Conte direito."

Dr. Gato ria da situação com sarcasmo cruel. Outra palmada.

-" Peça desculpas à Sra. Miin… e fale olhando para o chão."

Enquanto eu relatava tudo, os dois riam discretamente da minha humilhação.

Foi então que Dr. Gato se apresentou formalmente como Dom, enquanto Rosecleide assumia o nome de Sra. Miin . ( Nomes reais não divulgados )

Naquele instante, percebi que estava diante de um universo BDSM muito diferente do que eu imaginava conhecer. Tudo ali era levado ao extremo das regras, da disciplina e do controle psicológico.

O pouco que eu havia experimentado antes parecia brincadeira perto daquilo. Em questão de minutos, conheci lados de Edy que jamais imaginei existir.  Inclusive na pele.

Dr. Gato começou a questionar minhas promessas, minhas mentiras e minhas traições. O tom de voz dele era duro, autoritário, quase impiedoso.

Mandou que eu ajoelhasse no sofá. Rosecleide permaneceu sentada observando tudo ao lado de Cidinha.

Então ouvi um estalo. Meu corpo inteiro arrepiou.

A dor veio segundos depois.

A cada erro confessado, eu precisava explicar por que havia quebrado os acordos feitos anteriormente, inclusive tudo o que escondi de Edy.

Mas havia algo pior.  A cada omissão, Cidinha também era punida.  Dr. Gato a responsabilizava por ter me indicado.

Por mais que eu falasse a verdade, sempre parecia faltar alguma coisa. Algo que eu jamais teria como adivinhar que Cidinha havia contado antes.

-" Tem certeza de que contou tudo?"

Balancei a cabeça afirmando que sim.

Outro estalo. Outra dor.

Naquele momento, Dr. Gato já não lembrava o homem sedutor que conheci. Parecia um carrasco conduzindo um julgamento particular.

Enquanto eu era punida, Cidinha também sofria humilhações e castigos. Então Rosecleide se levantou.

Aproximou-se de Dr. Gato e sussurrou algo em seu ouvido. Ele entregou minha guia a ela.

Meu sangue gelou. Mantive os olhos baixos enquanto ela se aproximava lentamente. Seus pés pararam diante do meu rosto.

Submissa, beijei seus pés.  Fui chamada de inútil.  Recebi a ordem de ir de quatro até o consultório, me vestir e esperar ajoelhada perto da porta de entrada, olhando para a parede.

Fui chorando em silêncio, tentando disfarçar a vergonha e a ardência espalhada pelo corpo.

Enquanto esperava, escutava os estalos vindos do outro cômodo… e os pedidos de perdão de Cidinha.

Até que a porta se abriu. Rosecleide surgiu diante de mim. Saímos juntas.

Do lado de fora, ela voltou a falar normalmente, quase como se nada tivesse acontecido.

-" Socialmente, sou Rosecleide. No fetiche, sou sua dona."

Ela me levou para casa querendo entender quem eu realmente era para Edy. Eu falava demais por nervosismo. Ela apenas ouvia. O medo do dia seguinte me consumia.

E pior ainda: o medo de perceber onde eu havia me metido.

No dia seguinte, apanhei novamente na rua, dessa vez de Cidinha e Maria. Cidinha estava com marcas pelo corpo do ocorrido no dia anterior. Fui xingada de puta e algo mais. . . .

Foi uma confusão humilhante. Nossa amizade terminava ali.

A fama de galinha começou a crescer pela vila inteira. Ninguém sabia o motivo verdadeiro, mas, na boca do povo, tudo se resumia a briga por homem.

Quando voltei para casa, meu pai já sabia da história.  Voltei a apanhar , perdeu  a pouca paciência que ele ainda tinha comigo.

Minha tia assistia a tudo sentada na sala, em silêncio, como se acompanhasse um espetáculo triste do qual ninguém mais conseguia sair.


EDY:
Essa narrativa era algo que eu jamais imaginaria viver.

Minha ex conhecer Dr. Gato era uma possibilidade que nunca sequer passou pela minha cabeça.

Depois tivemos um encontro nós três. Eu, Rosecleide e Dr. Gato e finalmente entendi como todos se conheciam.

Rosecleide havia morado no ABCD, mas existiam conexões muito mais antigas, histórias longas demais e variáveis que eu desconhecia completamente.

Rimos bastante sobre o caos daquele consultório, sobre as mentiras, as omissões, os segredos de Edna.

Mas havia fatores que nem eu previa. A aproximação entre Lúcia e Rosecleide alimentava desejos obscuros acontecendo silenciosamente ao meu redor, sem que eu percebesse.

Durante todo esse tempo, eu acreditava estar no controle. Na realidade, tudo já havia virado uma espécie de loteria emocional, onde ninguém mais sabia exatamente qual seria o destino de cada envolvido.


Ref.: 1998 #0043
(*) FOTOS DA INTERNET - IMAGENS PARA MERA ILUSTRAÇÃO - FONTE INTERNET

terça-feira, 28 de abril de 2026

UM DIA PARA ESQUECER

Depois de realizar algo coletivo com Edy, comportamentos anormais, somados a sonhos estranhos que pareciam  querer avisar algo, liguei para ele querendo saber se estava tudo bem. 

Com voz de quem tinha acabado de acordar, conversava normalmente comigo.
Eu o provocava e seduzia com palavras. Retribuiu pedindo para eu me tocar, citando estar me desejando. . . 

-"Quando iremos acordar pela manhã podendo realizar algo íntimo. 
-"Casa comigo!"  falei 

O telefone ficou mudo, achei que tinha caído a linha. Era Edy em silêncio , isso era mau sinal. Comentei que tinha entendido o recado e desliguei. 

Conflitos na minha cabeça entre mil pensamentos. Meu lado promíscua e meu lado mulher exemplar. Não enxergava a possibilidade em ser duas mulheres  em uma e realizar prazeres ocultos de Edy. 

Sela pela imaturidade e ingenuidade, eu não enxergava as possibilidades 

Tia Lúcia logo cedo em casa,  escutava a conversa do quarto com meus pais. Não sai para conversar e nem veio falar comigo. 

Edy passou em casa mais cedo, escutava a conversa toda,  sem motivo trouxe uma bela garrafa de vinho para meus pais, só escutava a algazarra e risos. Sai do quarto curiosa  perguntando que felicidade era essa, citava que no momento certo todos saberiam.


Meus pais abraçaram a alegria ( interesseiros ) pensando eu, fazendo  teatro de bom genro. Minha mãe percebendo o clima arranhado com minha tia, me puxou pela orelha obrigando a cumprimentá-la, mesmo estando oferecida com Edy.

Fiquei muito sem graça, sentindo perdida com a virada de chave de Edy. Mudança, aceitação ou dissimulado? 

Saímos a pedido dele, eu sem saber para onde íamos. Somente exigiu que usasse um calçado que deixasse os pés livres e uma roupa provocativa. Dizia realizarmos  algo exemplar, tinha até medo de certas palavras quando vinha de Edy. 

No caminho Edy explorava saber sobre minha repulsa com uma rola preta. Eu respondia que simplesmente não conseguia imaginar aquilo dentro de mim, era estranho, esquisito, dava repulsa. Explicava que não tinha nada contra a etnia, tenho amizades, conversar, abraçar, mas intimidade (ECAA)  não me faça algo assim, advertia Edy. 

Mesmo assim, Edy insistia nos beneficios de transar com um negro, relatava como se fosse um desejo pessoal dele. Pedi para parar ou voltamos para casa, falei que tava dando nojo esse tipo de assunto. E insistiu comentando se Ulisses a pegasse... 
...rebati que estava interessado em pegar Cidinha. Mandei ele tentar a sorte com ela. Fiquei bicuda e parou a provocação.

Percebi que Edy rodava como se não soubesse onde iriamos. 

Paramos próximo ao metrô Vila Mariana, umas ruas para baixo, rua movimentada de carros e poucos pedestres. Andamos mais que imaginava, curiosa ao passar próximo a uma pizzaria, perguntei se íamos a pizzaria? Edy comentou que seria ao lado. Imaginei, vamos comemorar algo, comer em um lugar diferente.

Paramos em uma bela e chique residência, dois seguranças na porta, Edy conversou com um deles, ficamos aguardando a liberação. Gerava um suspense e ansiedade, entramos, ambiente meia luz, pessoas nos observando e fomos acompanhados até uma mesa reservada.

Acomodados, Edy se ajoelhou em meus pés e os beijou, fez carinhos, fiquei toda sem graça. O fiz levantar e perguntei que estava fazendo. 


Edy apresentava um ambiente fetichista, tema do dia  "podolatria",   mostrando a naturalidade sem julgamentos. Sinceramente não me agradava nenhum pouco. Um casal veio  a nossa mesa solicitando consentimento de Edy para o acompanhante apreciar meus pés, foi constrangedor para mim. 

Não recordamos o nome do casal, mas a mulher ficou conversando conosco, enquanto como cachorro,  seu acompanhante degustava de meu pés junto ao dela. Edy estava focado em mim, até mesmo quando foi sugerido algo mais como sexo pela mulher, Edy barrou educadamente, citou que  estavámos somente para o tema especifico. Não contestei , porém pedi para irmos embora. 


Ao sairmos, Edy me direciona para um canto do ambiente,  sentada uma mulher com idade e aparência de minha mãe. Sério, Edy se ajoelhou beijando os pés dela. Se levantou e sussurrou em meu ouvido a fazer o mesmo. 

Perdi a linha e sem chamar muito a atenção perguntei a Edy quem era a vovó,  viemos para brincar de lobo mau?. . . 

Pessoas olharam para mim, Edy de cabeça baixa a seus pés,  mantendo-se sentada educadamente se apresentou:
- "Sra. Rosecleide , acredito ter conhecimento de minha pessoa por  Sra. Min-ji" - falava calma, segura e tom baixo

Quase tive uma diarréia quando associei a pessoa. Inicialmente tentava me desculpar pelo ocorrido. Percebi que não tinha a atenção dela . . .
-"Guarde suas desculpas para momentos apropriados..."

Autorizou Edy a se levantar,  o descartou  como objeto sem querer prosseguir a conversa. 

Até o carro Edy foi mudo e irritado. Eu simplesmente perguntava que tinha feito de errado. Sem conversar nada até entramos em um motel na Ricardo Jafet , conhecida como a rua dos motéis ( atualmente não sei se continua com essa fama) .

Na suíte, resumindo Edy estava um animal, muito grosso e áspero com as palavras. Era um entra e sai  e voltando  do carro com aquela bolsa conhecida, a bolsa da tortura e prazeres, fiquei preocupada.
 
Edy pediu umas bebidas e algo para comer, respirou fundo e começamos a conversar. De imediato questionou sobre o fetiche de puta, Cidinha e alguma possível saída com algum outro homem sem seu conhecimento. 

Me dava oportunidade em eu ter total dedicação dele, realizar as ousadias mais picantes, desde que fosse verdadeira com ele. Eu muito tonta, birrenta, mesmo sob a ameaça e inibição visual da bolsa a minha frente, mantive firme em assumir tudo que realizei com outro homem, ele estava presente. 

O confrontei citando o lugar que me levou, mandava ele voltar e ficar com a vovó. ( silêncio)

-"Vai atrás da Noeli, com ela vai ser mais corno que imagina." - eu descarregava sem controle a raiva 
-"Você é corno, não é isso que queria saber, pronto CORNO !! VOCÊ É UM CORNO !!"


Falei em tom algo e gritado, as funcionárias do motel que passavam pelo lado interno do corredor de serviço riram ( quase ri , tive que me conter) a cara de Edy era indescritível

Edy falava como coitado, querendo saber nomes. Citei vários que nunca sai, somente na intenção de provocá-lo,  mas os desejava em minha cama. Me arrumei, peguei a bolsa e falei para irmos embora. 
-"Me leva e me deixa em casa e some da minha frente." 

Edy ficou muito puto, resmungou, pegou as coisas e fomos embora. Veio até em casa calado, me largou na porta de casa como bagagem e foi embora.
Entrei em casa pisando duro e lá fiquei em meu quarto pensativa com o péssimo dia.


EDY:
Edna me deixou excitado descarregando sua raiva, inexperiente não sabia canalizar prazer em uma discussão. Encenei estar com muita raiva, a levei para sua casa, mas desejando estar com outra pessoa.

Queria eu levar um corretivo, ser dominado naquele momento de fúria.  Era somente uma perspectiva de um sonho impossível de se realizar.

Cheguei em casa, o telefone toca, recebo uma péssima notícia.

Liguei para Edna em seguida.



EDNA:
Telefone toca, minha mãe chama dizendo que era o boi, saia muito puta do quarto com a zombaria
Edy fala que Marisa tinha acabado de ligar para ele. Ficou um silêncio no telefone.
Eu gelava, tinha descoberto de minhas saídas com seu marido Wagner, pensava eu.
Diante do ocorrido a poucas horas atrás, quebrei o silêncio, citei as saídas com Wagner desde que não envolvesse Marisa ...

...fui interrompida 
   
-"Wagner morreu!" 
A ficha não tinha caído e fiquei me justificando ....

-"Wagner teve um infarto fulminante. Fique quieta !!" Finaliza Edy

-"Vai ir ao velório?" Edy questiona

Fiquei pensativa, culpada e ignorada. Resolvi não ir, justifiquei a Edy que tinham mais aproximação, que ele fosse. 

Confesso que fui muito  fria, tive sensações estranhas, uma noite horrível com novos pesadelos, premunição  eu diria. 


O dia seguinte foi como virar a página e seguir em frente. 


Ref.: 1998 #0041
(*) FOTOS DA INTERNET - IMAGENS PARA MERA ILUSTRAÇÃO - FONTE INTERNET

LIBERDADE CONDICIONAL

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