Demorei três dias para conseguir falar com Edy cara a cara. Três dias organizando pensamentos, tentando conter impulsos, ensaiando frases para não falar , nem fazer nenhuma merda.
O assunto era delicado. Delicado demais. O que eu tinha presenciado ainda reverberava dentro de mim como um eco incômodo. Em alguns momentos eu estava com sangue nos olhos; em outros, tentando ponderar limites, maturidade, equilíbrio. A verdade? Eu nem sabia exatamente o que pensar. Só sabia que uma realidade começava a se formar diante de mim, uma realidade que eu não queria enxergar.
A viagem de Edy para o Sul voltava à minha memória como um filme mal editado. As conversas desconexas. As ironias. As sátiras que, agora, pareciam esconder algo muito mais profundo.
Quando finalmente nos encontramos, a tensão era quase palpável.
Começamos com aquelas conversas vazias de quem quer chegar ao ponto principal, mas finge que não. Faltava alguém comentar sobre o clima, perguntar se ia chover. Estávamos tímidos. Talvez envergonhados. Talvez com medo do que viria.
Foi Edy quem rompeu o gelo.
-"Queria começar agradecendo por você não ter brigado, não ter surtado… nem rotulado."
-"Me desculpar do quê, mesmo?" respondi, rindo.
Rimos. Um riso nervoso. Nos abraçamos. Houve beijos. Beijos que não apagavam a tensão, apenas a adiavam.
-"Por que você não me contou antes?" perguntei, finalmente.
Edy desviava. Escapava. Era um enigma. Conseguir uma resposta objetiva dele parecia impossível, especialmente de alguém que claramente carregava uma história inteira nas costas.
Fragmentos de lembranças invadiram minha mente. Recordei vagamente de Matheus comentando, em tom casual demais para ser irrelevante, que Edy “também gostava de rola”.
A frase ecoou dentro de mim.
Eu precisava ser cautelosa. Cada pergunta tinha que ser medida, pensada, quase cirúrgica.
Pedi desculpas por não ter dado a devida atenção ao relato da viagem ao Rio Grande do Sul. Disse que agora percebia, talvez aquele tivesse sido o momento em que ele tentara me contar algo.
O silêncio se instalou entre nós.
Um silêncio denso. Revelador.
Aos poucos, Edy sorriu. Um sorriso tímido, mas carregado de algo maior.
-"Aquilo não foi nada perto do que eu já passei…" disse, sério.
Meu corpo reagia de maneira contraditória. Enquanto a conversa se aprofundava, memórias despertavam em mim sensações que me deixavam inquieta… molhada. E eu me sentia irresponsável por estar assim. Egoísta. Como podia meu desejo coexistir com aquela conversa tão delicada?
Ainda assim, eu queria saber.
-"Vou te contar. Aos poucos. Quando eu sentir que você está mais madura… quando eu voltar a confiar totalmente."
Interrompi, quase ofendida:
-"Como assim, mais madura? Você me acha imatura? Irresponsável?"
Ele pousou a mão em mim com calma. Disse que me queria como me conheceu. Que eu estava diferente. Que eu parecia uma mulher comum e não aquela que ele considerava especial.
Aquilo me atravessou. Eu me sentia a mesma. Ou pelo menos achava que sim. Não conseguia decifrar o que ele enxergava que eu não via. Homem complicado. Depois dizem que somos nós.
O silêncio voltou a nos envolver, dessa vez mais pesado.
-"Você vai me contar ou vai continuar falando por enigmas?" perguntei, já cansada do jogo.
Ele respirou fundo.
-"Pela necessidade de compreender… pelo voto de confiança… e isso fica entre nós."
Jurei com beijinho e tudo mais que eu seria um tumulo que confidenciar a mim, e então começou.
Edy voltou no tempo. Na adolescência. Na idade que eu tinha agora. E foi ali que percebi, o que eu sabia era apenas a superfície.
O que ele estava prestes a abrir não era uma simples confissão.
Era a caixa preta, e algumas caixas, quando abertas, nunca mais permitem que você volte a ser quem era antes.
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| A CAIXA PRETA DE EDY - A RAINHA E SEU MACHO ALPHA |
Durante o relato, fui atravessada por sensações conflitantes. Fiquei molhada. Fiquei com raiva. Com tesão. Com ciúmes. Apaixonada. Perdida.
Era como se cada palavra de Edy me atropelasse sem freio e, ainda assim, eu sentia que ele não tinha contado tudo.
Havia lacunas. Pequenos silêncios estratégicos. Detalhes que ele parecia poupar… ou esconder.
Eu tentava me controlar. Não queria soar invasiva. Nem a mulher insegura. Nem a chata que estraga a confissão. Mas a dúvida queimava.
Olhei para Edy. Havia algo nostálgico em seu semblante como se parte dele quisesse voltar no tempo e impedir o ato que desencadeou tudo.
Não resisti.
-"Se pudesse voltar no tempo e corrigir os erros… você faria?"
- "Não." respondeu seco, sem hesitar.
O “não” caiu pesado.
-"Por que não?"
Ele respirou fundo antes de dizer:
-"Talvez porque, naquele momento, eu não estivesse preparado para dividir a pessoa que amei…"
E então me encarou, firme, quase cruel:
-"…como estou agora, depois que você me pediu para sair com outros."
Aquilo entrou como uma lâmina. Uma facada limpa. Antes que eu encontrasse forças para rebater, ele se levantou, aproximou-se, me beijou. Um beijo calmo demais para a violência da conversa e murmurou:
"- Vamos digerir isso. Continuamos em outro momento… para o nosso próprio bem-estar."
Pela primeira vez, Edy me virou as costas. Fiquei ali. Sozinha.
No caminho de volta para casa, minha mente repetia a cena obsessivamente. Eu me via ali, passiva, observando, permitindo. Aquela imagem me perseguia. Nos pensamentos. Nos sonhos.
E, para minha própria surpresa… aquilo me excitava.
Havia algo novo nascendo dentro de mim. Algo desconhecido. Proibido. Eu não entendia completamente mas gostava de sentir.
Naquela noite, deitada na cama, minha masturbação foi diferente. Mais intensa. Mais crua. Dedilhava-me imaginando Edy experimentando cada uma das rolas que um dia eu senti, na minha cabeça fluia uma suruba entre homens. Imaginava seus olhos. Sua entrega. Seu prazer.
Era insano.
Eram desejos perigosos.
Desejos que poderiam, sim, se tornar reais.
Ou talvez já estivessem mais próximos do que eu queria admitir.
então você ainda não sabe o que realmente está guardado em A Caixa Preta de Edy.
Ref.: 1998 #0032



















