O título parece nome de filme de terror. E, para mim, virou exatamente isso.
Tudo começou em um dia aparentemente comum, quando recebi uma ligação do Dr. Gato pedindo que eu comparecesse ao consultório dele. Naquele momento, eu vivia uma fase intensa, cheia de excessos, desejos e segredos com Edy sabendo de algumas coisas… e outras não.
Ignorei a solicitação. Por mais sedutor e irresistível que Dr. Gato fosse, preferi fingir que nada estava acontecendo.
Dias depois, ele ligou novamente. Dessa vez, sua voz não tinha o mesmo tom calmo e provocador. Havia algo diferente. Mais frio. Mais sério.
Falou poucas palavras. Confirmou horário, exigiu minha presença. Eu respondi que iria. Não fui. Nem sequer dei satisfação.
Poucos dias depois, Cidinha apareceu na porta da minha casa, completamente transtornada. Gritava me chamando de puta e biscate sem o menor constrangimento, enquanto meus pais ouviam tudo da sala.
Pedi que falasse baixo. Ela respondeu com um tapa no meu rosto. A ardência veio acompanhada do aviso:
-"Você sabe muito bem o que fez e no que se comprometeu."
Eu havia ignorado assuntos importantes tratados com Dr. Gato. Regras. Compromissos. Coisas combinadas que, por irresponsabilidade minha, deixei cair no esquecimento.
Meus pais assistiam à cena sem entender nada. Quando entrei, queriam explicações. Não consegui falar. Apenas pedi que me deixassem em paz.
Então veio um novo contato. Dessa vez, não houve convite.
Apenas a confirmação do dia, do horário… e a frase que me gelou inteira:
-" Sua presença é obrigatória."
Dessa vez eu fui. Dr. Gato me recebeu sozinho no consultório. O ambiente parecia diferente. Mais silencioso. Mais pesado.
Sentamos, ele começou a fazer perguntas. Queria entender minha ausência, minhas fugas, meus sumiços.
Eu não conseguia responder. As palavras travavam na garganta.
Então ele começou a relatar situações íntimas demais, detalhes específicos demais. Parecia ter presenciado tudo pessoalmente ou como se Edy tivesse contado cada passo meu.
Acusei Edy de ter aberto a boca. Dr. Gato apenas me olhou, sério, negando lentamente com a cabeça.
Sem dizer mais nada, levantou-se. Mandou que eu tirasse a roupa. Minhas mãos tremiam enquanto obedecia. Ele colocou uma coleira em meu pescoço e prendeu a guia. Em seguida, ordenou que eu ficasse de quatro.
Meu coração disparou. Fui conduzida até outro cômodo privativo do consultório.
Quando a porta se abriu, o choque veio de uma vez só. Cidinha estava nua, ajoelhada diante da parede, marcada pelo corpo inteiro.
Então, ironicamente, Dr. Gato apontou para ela e disse:
-" Essa é a “Edy” que você acusou lá atrás."
Antes mesmo que eu processasse aquilo, meus olhos encontraram outra figura no ambiente. Na poltrona, observando tudo em absoluto silêncio, estava Rosecleide… a ex de Edy.
A Sra. Miin.
Senti minhas pernas fraquejarem. Ela me encarava com tranquilidade desconcertante, enquanto fazia perguntas simples às quais eu só conseguia responder com sílabas desconexas.
Por dentro, minha vontade era virar as costas e fugir dali.
Mas eu já entendia, tarde demais, que não estava mais no controle de absolutamente nada.
Dr. Gato perguntou de onde nos conhecíamos.
Fiquei ouvindo a conversa entre eles, tentando entender como tantos caminhos improváveis tinham se cruzado daquela forma. O mundo parecia pequeno demais para tantas coincidências.
Nervosa, tentei me desculpar novamente pelo encontro anterior. Fui ignorada. Uma palmada forte me interrompeu.
-"Relate exatamente o que aconteceu."
Comecei a narrar superficialmente. O tapa no rosto veio seco. Rosecleide me encarou com firmeza:
-" Conte direito."
Dr. Gato ria da situação com sarcasmo cruel. Outra palmada.
-" Peça desculpas à Sra. Miin… e fale olhando para o chão."
Enquanto eu relatava tudo, os dois riam discretamente da minha humilhação.
Foi então que Dr. Gato se apresentou formalmente como Dom, enquanto Rosecleide assumia o nome de Sra. Miin . ( Nomes reais não divulgados )
Naquele instante, percebi que estava diante de um universo BDSM muito diferente do que eu imaginava conhecer. Tudo ali era levado ao extremo das regras, da disciplina e do controle psicológico.
O pouco que eu havia experimentado antes parecia brincadeira perto daquilo. Em questão de minutos, conheci lados de Edy que jamais imaginei existir. Inclusive na pele.
Dr. Gato começou a questionar minhas promessas, minhas mentiras e minhas traições. O tom de voz dele era duro, autoritário, quase impiedoso.
Mandou que eu ajoelhasse no sofá. Rosecleide permaneceu sentada observando tudo ao lado de Cidinha.
Então ouvi um estalo. Meu corpo inteiro arrepiou.
A dor veio segundos depois.
A cada erro confessado, eu precisava explicar por que havia quebrado os acordos feitos anteriormente, inclusive tudo o que escondi de Edy.
Mas havia algo pior. A cada omissão, Cidinha também era punida. Dr. Gato a responsabilizava por ter me indicado.
Por mais que eu falasse a verdade, sempre parecia faltar alguma coisa. Algo que eu jamais teria como adivinhar que Cidinha havia contado antes.
-" Tem certeza de que contou tudo?"
Balancei a cabeça afirmando que sim.
Outro estalo. Outra dor.
Naquele momento, Dr. Gato já não lembrava o homem sedutor que conheci. Parecia um carrasco conduzindo um julgamento particular.
Enquanto eu era punida, Cidinha também sofria humilhações e castigos. Então Rosecleide se levantou.
Aproximou-se de Dr. Gato e sussurrou algo em seu ouvido. Ele entregou minha guia a ela.
Meu sangue gelou. Mantive os olhos baixos enquanto ela se aproximava lentamente. Seus pés pararam diante do meu rosto.
Submissa, beijei seus pés. Fui chamada de inútil. Recebi a ordem de ir de quatro até o consultório, me vestir e esperar ajoelhada perto da porta de entrada, olhando para a parede.
Fui chorando em silêncio, tentando disfarçar a vergonha e a ardência espalhada pelo corpo.
Enquanto esperava, escutava os estalos vindos do outro cômodo… e os pedidos de perdão de Cidinha.
Até que a porta se abriu. Rosecleide surgiu diante de mim. Saímos juntas.
Do lado de fora, ela voltou a falar normalmente, quase como se nada tivesse acontecido.
-" Socialmente, sou Rosecleide. No fetiche, sou sua dona."
Ela me levou para casa querendo entender quem eu realmente era para Edy. Eu falava demais por nervosismo. Ela apenas ouvia. O medo do dia seguinte me consumia.
E pior ainda: o medo de perceber onde eu havia me metido.
No dia seguinte, apanhei novamente na rua, dessa vez de Cidinha e Maria. Cidinha estava com marcas pelo corpo do ocorrido no dia anterior. Fui xingada de puta e algo mais. . . .
Foi uma confusão humilhante. Nossa amizade terminava ali.
A fama de galinha começou a crescer pela vila inteira. Ninguém sabia o motivo verdadeiro, mas, na boca do povo, tudo se resumia a briga por homem.
Quando voltei para casa, meu pai já sabia da história. Voltei a apanhar , perdeu a pouca paciência que ele ainda tinha comigo.
Minha tia assistia a tudo sentada na sala, em silêncio, como se acompanhasse um espetáculo triste do qual ninguém mais conseguia sair.
EDY:
Essa narrativa era algo que eu jamais imaginaria viver.
Minha ex conhecer Dr. Gato era uma possibilidade que nunca sequer passou pela minha cabeça.
Depois tivemos um encontro nós três. Eu, Rosecleide e Dr. Gato e finalmente entendi como todos se conheciam.
Rosecleide havia morado no ABCD, mas existiam conexões muito mais antigas, histórias longas demais e variáveis que eu desconhecia completamente.
Rimos bastante sobre o caos daquele consultório, sobre as mentiras, as omissões, os segredos de Edna.
Mas havia fatores que nem eu previa. A aproximação entre Lúcia e Rosecleide alimentava desejos obscuros acontecendo silenciosamente ao meu redor, sem que eu percebesse.
Durante todo esse tempo, eu acreditava estar no controle. Na realidade, tudo já havia virado uma espécie de loteria emocional, onde ninguém mais sabia exatamente qual seria o destino de cada envolvido.
Ref.: 1998 #0043
(*) FOTOS DA INTERNET - IMAGENS PARA MERA ILUSTRAÇÃO - FONTE INTERNET








Seus relatos são maravilhosos e tudo o que você viveu e intrigante, acredito que os próximos capítulos serão reveladores e dolorido.
ResponderExcluirObrigada. Ohh fase dolorida
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