O DESEJO E O CASTIGO
As cicatrizes. . .
Enquanto tirava a roupa para tomar um banho, ela se espantou com as marcas visíveis em meu corpo. As cintadas, roxos e arranhões eram impossíveis de esconder. Nem de mim mesma.
No dia seguinte, Edy apareceu na hora do almoço. Trazia um sorriso orgulhoso no rosto, queria me mostrar a casa que acabara de comprar. Achei que fosse me animar, mas tudo em mim parecia distante. Ele percebeu. "- Depois do trabalho, a gente conversa." disse.
Estava apavorada, covardemente recorri à minha tia para mediar a conversa. E ela, como sempre, envolveu tudo com sua lábia afiada, elogiava Edy, chamava meu pai de teimoso, e tentava costurar um futuro que, sinceramente, eu já não sabia se queria. Edy permanecia frio, sua risada era forçada, suas palavras medidas. Em certo momento, ele e minha tia se afastaram, deixaram-me ali, isolada, seguiam com conversas que gesticulavam irritação em Edy, minha tia dialogava e percebia que chegavam a um consenso. Eu os observava de longe, imaginando o que diziam e quando voltaram, ela anunciou:
"- Hoje é cada um pro seu lado. Amanhã, com a cabeça fria, vocês decidem. No caminho de volta, recebi mais broncas. "- Ingênua. Você não sabe com o que tá lidando." minha cabeça encheu de interrogações, exclamações . . . que raios ela quis dizer, pensava eu, estava sem coragem de perguntar e assim seguimos caladas.
Chegamos em casa, e ela tratou de conversar com meus pais. Falou bem de Edy, apelou para a diferença de idade entre eles como exemplo de tolerância. Funcionou e no final da noite, minha mãe me chamou: "- Está decidido. Traga Edy para almoçar com a gente no sábado.Vamos conhecer melhor essa sua escolha , já que não tem jeito". Falando de forma de desprezo .
Era como se os desejos começassem a se tornar realidade. Mas eu conhecia Edy... e sabia que por trás da calma dele havia um castigo anunciado.
A paz, no entanto, era só aparência.
Na sexta-feira, Edy me levou para sair. Estávamos bem, sorrindo, retomando o prazer. Achei que iríamos para a nova casa, mas ele disse que ainda estava em reformas. Em vez disso, seguimos para um motel na Mooca, chamado Pousada do Cowboy. Entramos numa suíte espaçosa. Edy pediu que eu subisse enquanto pegava algo no porta-malas. Sentada na beira da cama, permaneci vestida, envergonhada, quase tensa. Quando ele voltou, estranhou minha hesitação e começou a me despir. Aos poucos, notou as marcas em minha pele, uma pausa em silêncio, depois, um abraço apertado, e a frase que mudaria a noite:
"- Vamos continuar... porque isso é inevitável."
Não entendi na hora, só compreendi quando ele tirou de sua bolsa uma coleira vermelha e a colocou suavemente em meu pescoço, prendendo uma guia à fivela. Estava paralisada, mas não disse não.Depois, prendeu meus pulsos a uma cinta em minha cintura. Ri, tentando quebrar o clima tenso: "- Isso é brincadeira, né?"
Ele respondeu apenas com um sorriso enviesado. A seguir, pegou um pedaço de bambu e o colocou ao lado da cama. Soltei uma risada nervosa.
"- Vai colocar isso no meu cu, é?" Provoquei, tentando parecer ousada.
Ele me posicionou de joelhos sobre a cama, com os pés expostos para fora. E então, sem aviso, desferiu a primeira bambuzada na sola do meu pé. A dor foi lancinante. Um grito escapou da minha garganta, chorei. Ele apenas olhou nos meus olhos e disse calmo: "- Eu avisei."
Outra bambuzada mais forte e minha voz desapareceu. Pela primeira vez, vi Edy com lágrimas nos olhos. A dor me anestesiava . . .
Edy me vendada, sem saber o que esperar, ouvi a porta abrir. Uma voz feminina doce e provocante, comentou sobre as marcas:
Pude sentir unhas suaves tocando minha pele. Ouvi zíperes, frascos sendo abertos, e então mãos cuidadosas massageando minhas feridas.
"- Vai levar uns vinte dias para sumir. Passe isso antes de dormir."
Aquela mulher tinha um toque hipnótico, soltou minhas mãos, percorreu meu corpo com sensualidade, retirou a coleira e enfim retirou minha venda com um beijo suave. Era uma morena , traços indígenas, olhar quente. Sorriu:
"- Márcia. Estou à sua disposição. Fique calma... você é linda."
Me beijou, nos beijamos, me entreguei, ela conduziu nossos corpos a se entrelaçarem, e, por um momento, esqueci da dor. Edy e outro homem, Marcos, nos observavam. Eles queriam que nos tocássemos. Márcia desceu sua mão pela minha intimidade. Márcia deslizou os dedos entre minhas pernas, dedilhando-me com maestria. Estática, quase entregue, fui interrompida por mais uma bambuzada em meus pés, me curvei toda de dor e chorei, Márcia tentou me consolar e acabou recebendo uma bambuzada, conteve a dor mordendo os lábios e apertando o lençol com as mãos, até soltar lágrimas em seus olhos.
Saiu como se nada tivesse acontecido. Márcia me abraçou, tentando conter minha confusão. Seus olhos sérios, porém doces, cravaram-se nos meus.
"- Então deixe que eu te leve ". disse, beijando-me suavemente.
E me entreguei. Senti a língua de Márcia explorando minha buceta. Respondi com gemidos e tremores. O gosto estranho tornava-se um novo vício. O prazer explodia em ondas que me desligavam do mundo. Era como se, mesmo ausente, Edy estivesse ali, dentro de mim.
Marcos penetrou Márcia por trás, ela veio até mim, beijou meus seios, me guiou a sua intimidade. Obedeci, desejei, a toquei, beijei e explorei outra mulher sem medo, apenas com curiosidade e excitação.
Após Marcos saciar seu ego, tesão e desejo com Márcia , me comia com os olhos e falava:
"- Fique tranquila, garota... não vou transar com você. Respeito e honro minha palavra"
No banho, conheci Márcia além do toque. Descobri suas dores, suas quedas. E percebi que, de alguma forma, ela era o espelho do meu próprio caos.
Ao final, me deixaram em casa. O silêncio era absoluto. Mas dentro de mim, um turbilhão gritava.
Edy, Marcos, Márcia, meu passado, meu corpo. As peças estavam se movendo. E algo me dizia, com uma certeza inquietante: "O verdadeiro castigo... ainda nem começou."
Ref.: 1995 #0003
(*) FOTOS DA INTERNET - IMAGENS PARA MERA ILUSTRAÇÃO - FONTE INTERNET




Caramba , estou sem palavras com essa situação ,foi algo bem estranho
ResponderExcluirOhhh fase, isso foi somente degustação do que veio depois
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