Eu tinha jurado a Edy que aquela conversa morreria entre nós. E sim… morreu. Pelo menos na teoria. Na prática, despejei tudo para minha tia.
As confissões. As dúvidas. O lado bi de Edy. Cada detalhe sussurrado, cada entrelinha carregada de tensão. Minha tia ouvia tudo com indignação crescente, enquanto minha ingenuidade lhe entregava munição, palavra por palavra, segredo por segredo.
Eu falava demais. Contava até aquilo que não tive coragem de perguntar a ele. Minhas inseguranças viravam pauta nas nossas conversas. E ela, sempre estrategista, aconselhava, orientava, instigava. Diferente da minha mãe, que jamais foi amiga-confidente, minha tia era porto seguro, cúmplice, professora da malícia do mundo.
- "Você precisa ir pra cima. Cobrar explicações. Mas com estratégia"dizia.
-" Sem assustar. Sem deixar ele se fechar como tatu-bola." completava
E eu absorvia tudo.
Enquanto isso, Kátia andava estranha. Distante. Ausente. Fria. Não sabia se era desinteresse por mim… ou interesse demais por Edy. Fantasmas antigos voltavam a rondar meus pensamentos.
Logo pela manhã, no trabalho, Edy veio ao meu encontro. Tinha algo diferente no olhar.
-"Recebi uma proposta melhor de trabalho. Semana que vem é minha última aqui."
Falou na lata, sem preparar o impacto da notícia.
O chão se abriu sob meus pés. A ausência dele soava como sentença final. Como se a distância fosse enterrar de vez o que mal começava a existir.
Ele me puxou para um abraço demorado. Quente. Apertado. A boca roçou meu ouvido quando sussurrou:
-" Você quer ficar comigo de verdade?"
Meu coração quase saiu pela boca.
-" Sim… " respondi, com voz doce e olhos de quem implora para ser escolhida.
Ele me olhou fundo.
-"E vai continuar saindo com outros homens?"
A pergunta me atravessou. Arrisquei, num fio de ousadia:
-"Se eu tiver permissão…"
Silêncio.
Um sorriso tímido escapou dos lábios dele. Voltamos a nos abraçar, mas havia tensão no ar. Ele começou um discurso sério, dizia que, sem ele por perto, os “urubus” apareceriam. Que muita gente me desejava. Que eu precisava tomar cuidado.
Eu concordava, mas minha cabeça estava em outro lugar. Aproveitei para perguntar sobre a tal oriental que tinha causado confusão, a que eu achava ser a “Japa Zaroia”. Ele caiu na gargalhada. Explicou quem era. Provocou mistério. Disse que eu saberia no tempo certo.
E aquilo me deixou ainda mais curiosa.
No caminho de casa, um rapaz gritava meu nome de longe. Ignorei. Até que ele apareceu, ofegante, sorrindo. Era o mesmo que dias antes tinha se envolvido numa quase trombada retornando para casa.
Veio me cantar. Duas mulheres ao longe zombavam: “Aê, garanhão!”
Eu ri. Ele riu. O clima ficou leve. Se apresentou:
-"Sérgio."
Conversamos como se o tempo tivesse pressa. Quando percebi, já era noite. Me despedi com um beijo no rosto. Ele segurou meu queixo. E me beijou.
Um beijo quente. Intenso. Surpreendente.
Meu corpo reagiu antes da mente. Um arrepio me percorreu inteira. Senti as pernas fraquejarem. Quando nos afastamos, trocamos um sorriso cúmplice. Cada um seguiu seu caminho.
Eu, corada. A cabeça girando. O coração disparado.
Virei a esquina…
E congelei.
Kátia estava no portão. Ao lado da minha mãe. As duas com o rosto fechado. O ar pesado.
Antes que eu entendesse o que estava acontecendo, fui puxada pelos cabelos para dentro da garagem. Gritos. Acusações. Tapas. Minha mãe, furiosa. Kátia, transtornada.
-“Vagabunda.”
- “Quer ficar falada no bairro.”
- “Não se contenta com um, tem que correr atrás de outro.”
Elas tinham visto. Tinham assistido ao beijo com Sérgio. E voltaram para me esperar.
Ali, na frente dos meus pais, Kátia despejou tudo. Assumiu que estávamos juntas. Disse que eu não era confiável. Que eu queria todos. Que devia ter outra escondida.
Eu queria desaparecer. Sumir debaixo da terra como um avestruz acuado. Não tinha coragem de olhar nos olhos dos meus pais depois daquele escândalo.
Minha raiva crescia por dentro. Queimava. Minha mãe já tinha ligado para minha tia, exigindo explicações. Pouco depois, ela apareceu. Mas eu tranquei a porta. Não queria ninguém.
Do lado de fora, vozes se misturavam em discussão.
Do lado de dentro, eu sentia algo mudar para sempre.
E, no meio daquele caos, uma pergunta martelava: "Quem eu realmente queria ser dali em diante?"
Pulei a janela do meu quarto. Discretamente, saí pelo portão sem ser notada. O coração batia tão forte que parecia ecoar na rua silenciosa. Voltei para reencontrar Sérgio. Disfarcei o nervosismo, mas meu corpo já denunciava o desejo.
Sem muitas palavras, fui tomada por beijos quentes, urgentes. Ele me puxou para perto de um caminhão estacionado. Minha respiração falhava. Pensei: “Foda-se. Já estou fudida mesmo.”
Sérgio nunca foi de perder tempo. As mãos dele percorriam meu corpo com pressa e intenção. Senti seu volume rígido contra mim. Em segundos, já estava em minha mão. Eu segurava, provocava, sentindo ele reagir ao meu toque.
-"Vamos para o corredor da minha casa? " sussurrou.
Ele me puxou pela mão. Um corredor escuro. Um muro. O cheiro da noite misturado ao calor do tesão. Ele abriu a camisinha com os dentes, levantou uma das minhas pernas e me beijou com fome. Quando senti ele me invadindo, um arrepio percorreu meu corpo inteiro.
Volta e meia, ele abafava minha boca com a mão e fala ofegante.
-"Geme baixo…"
Minhas pernas tremiam. Eu já não tinha forças. Gozei tantas vezes que perdi a conta. Até sentir o corpo dele pulsar, intenso, finalizando entre beijos ardentes que me deixaram sem chão.
Nos recompusemos. Voltamos à rua como se nada tivesse acontecido.
Caminhamos de mãos dadas até a outra ponta da rua. Conversávamos como dois adolescentes inocentes quando encontramos outro casal: Cidinha e Leandro.
-"Vocês são doidos! Daqui dava pra ouvir o fônico de vocês dois!" disse ela, rindo.
-"Exagero seu…" respondeu Sérgio. -"Passa vontade porque quer. O corno aí do seu lado não marca presença?"
A conversa ficou picante rapidamente. Descobri que Cidinha tinha um “fixo”, aliás, chegou logo depois. Um negão alto, se apresentou e beijou ela na frente de Leandro e saiu com ela, deixando o corno chupando o dedo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
A noite estava ficando intensa demais. Resolvi ir embora. Entrei em casa pelo mesmo caminho. Quando estava quase alcançando a janela do meu quarto, senti o couro da cinta cortar estalar em minha bunda.
Meu pai me pegou com a bunda empinada na janela. A surra veio pesada. Ardida. Mas algo dentro de mim já estava diferente. Aquilo não surtia mais efeito como castigo. Era submissão. Era controle. Era entrega.
E, nesses momentos, eu lembrava das palavras de Edy: “A preparação.”
Por mais absurdo que pareça… eu gozei.
Fiz teatro. Chorei. Minha tia entrou e apartou a situação. Corri para o quarto, me tranquei e fui para o banho. A água escorria pelo corpo enquanto eu respirava ofegante, tentando entender como tanta coisa podia acontecer em tão pouco tempo.
O tempo de submissão imposto por Edy… suas práticas bizarras… estavam surtindo efeito. O castigo se transformava em prazer.
"Que filha da puta…" pensei.
Dias depois, reencontrei Cidinha. Eu nem a reconheci de imediato. Estava deslumbrante. Parecia uma boneca de porcelana. Minhas olhadas foram tão indiscretas que ela mesma riu:
-"Garota, essa coisa de colar velcro não é minha praia."
-"Desculpe… não é isso. Você está encantadora. Foi só isso."
Entre risadas e confidências, começamos a falar de experiências. Relações. Desejos. Nem preciso dizer que eu falei mais do que devia.
Ela ria, impressionada com o que eu vinha aprontando.
-"Você não pode perder um corno desses como o Edy…"
Fomos juntas à manicure. Uma cliente desistiu e aproveitei para fazer as unhas também. O ambiente era um ninho de conversas maliciosas. Eu ficava vermelha a cada comentário.
Principalmente quando souberam que Sérgio tinha me comido.
Todas ali já conheciam a rola dele. O assunto esquentou. Comentários sobre homens, tamanhos, vigor… Até que entraram no tema do meu dentista e de um ginecologista ambos descritos como “gatos” e extremamente… dedicados.
Cidinha me provocava:
-"Essa cara de santa é só fachada. Você adora uma rola, confessa."
Saímos dali com o corpo cheio de tesão e a cabeça cheia de imaginações.
Ela perguntou, direta:
-"Quer experimentar o dentista? E o ginecologista?"
Eu ri, mas confessei:
-"Estou molhada só de imaginar."
Até comentei se estavámos falando do mesmo dentista, e confirmou que sim. Eu não achava tão gato assim, pensava eu, mas gosto é gosto.
Ela me passou o número do ginecologista. Mandou dizer que precisava do último horário e que era indicação de Maria Aparecida.
Com o dentista, deveria marcar para o fim do expediente. E, durante o atendimento, comentar que “Cidinha” elogiava muito seus procedimentos… sem dor.
Durante a semana, liguei para os dois. Curiosa. Ansiosa. Com o desejo latejando entre as pernas.
O dentista marcou rapidamente, último horário.
Já o ginecologista dependeria de encaixe… ou apenas no próximo mês, segundo a recepcionista.
E, enquanto esperava, meu corpo ardia de expectativa.












Olá meu casal favorito.
ResponderExcluirSeus relatos são os melhores, acompanho como fosse uma série kkkkk ansioso pela continuidade e os próximos passos do Edy.
Obrigada !!! Verei se consigo agilizar as próximas publicações. bjs
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