O PRIMEIRO CHIFRE - Parte 4
A casa caiu. . .
...era exatamente assim que eu me sentia. Tudo em mim contradizia as reações de felicidade de Edy, que parecia não desconfiar de nada. Minha mente fervilhava com a dúvida: contar ou não contar o que aconteceu durante sua ausência?
Edy falava sobre os dias trabalhando fora, da saudade, dos desejos que sentia por mim, entre outras tantas coisas. Perguntava se meus pais já tinham se acalmado. Quando eu ia perguntar algo, congelava, com medo de que ele viesse me confrontar.
A sensação de pânico foi diminuindo ao longo da conversa, durante o jantar e enquanto caminhávamos pelos corredores do shopping. Até que Edy entrou em uma loja de alianças, começou a dar início ao nosso futuro. Naquele momento, me senti angustiada por estar sendo tão desonesta e desabei em lágrimas. Edy tentou me consolar, sem entender nada do que eu dizia, entre soluços e confissões embaralhadas.
Em um lugar mais calmo e reservado, eu tentava me recompor, mas voltava a chorar. Até que, em meio às lágrimas, desabafei:
" - Traí sua confiança... não sou uma mulher digna..."
Fui interrompida por Edy, que me abraçou e tentou me consolar:
"- Shhhhiu... Não diga nada. Acalme-se primeiro."
Ficamos parados, um observando o outro. Meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Então, Edy sugeriu:
"-Vamos a um motel?
"- Mas... estamos com clima pra isso?"
"- Hoje vamos fazer diferente. Confie em mim."
Esse “confie em mim” vindo de Edy me deixava desconfiada. Depois do episódio do bambu, eu fiquei mais esperta. Perguntei:
"- Sem bolsa dos prazeres? Sem nada... anormal, né?"
"- Sim. Já te falei que motel não é só pra sexo."
"- Sim... mas sempre acaba em sexo " respondi, rindo discretamente, o que também arrancou um sorriso dele.
Confiei. No fim das contas, eu já estava ferrada mesmo, não tinha mais nada a perder... pensava eu.
No motel, sentada na cama, enquanto Edy estava na cadeira me observando, ele perguntava, com carinho, tudo o que havia acontecido. Um nó subia na garganta e a voz simplesmente não saía.
"- Sem chorar, começa: Era uma vez..." , disse ele.
Repetiu a frase algumas vezes, até que comecei a relatar, de forma parcial, o que havia ocorrido. Edy reformulou a pergunta e me deu mais uma chance de falar. Não estava bravo, pelo contrário, parecia levar bem o que eu dizia. Então recomecei, e, dessa vez, contei tudo inclusive a besteira de ter transado sem camisinha e ele ter gozado dentro. A impressão que tive é que ele já sabia de tudo, só queria a confirmação.
Relatei também o susto que passamos quando a noiva do Matheus quase nos pegou. Parei de falar ao notar a expressão de Edy mudar. Ficou diferente, pensativo. Levantou-se, deu uma volta pelo quarto e foi até o banheiro, onde entrou debaixo do chuveiro.
Mesmo sem ser convidada, esperei alguns minutos e resolvi entrar também. Lá, ele me abraçou com força, o semblante triste. Fazia carícias. De repente, segurou minha cabeça, olhou profundamente nos meus olhos e me deu aquele beijo ardente sua marca registrada. Um beijo capaz de me fazer gozar. Era tão bom sentir aquela sensação novamente.
Saiu do banho perguntando se eu queria algo do serviço de quarto. Quando retornei, Edy se aproximou de mim e disse: "- Eu preciso me desabafar. Preciso que me ouça sem julgamentos..."
Falava de forma perturbada e estranha; nunca o tinha visto assim. Pedi que colocasse tudo para fora, que despejasse sua raiva,cfosse o que fosse.
E então ele começou:
"- Sabia que algo ia acontecer, mas não imaginava com quem, nem até onde chegaria. Estou com uma raiva ainda maior da sua mãe e ela vai pagar com a língua dela. Seu pai então... aff, outro dois caras... "
(Pausava a narrativa por instantes.)
"- Você é muito ingênua. Tá querendo virar galinha? Puta? Não pensou em mim, saindo com alguém do trabalho? Corno eu? É isso mesmo? Andar pela empresa desfilando com um par de chifres? Pensa pequeno, uma piveta..."
(Nova pausa notória raiva subindo e mantendo-se no controle)
"- Não se come a carne onde se ganha o pão" , citava, pausava, e continuava:
"- Eu quero você. Te amo. Você é minha mulher porra !!"
(Enfatizava, com convicção. Me dava orgulho ouvir meu valor sendo reconhecido.)
"- Você tem capacidade de ser muito mais do que é, mas precisa ser mais esperta, mais atenta. Sei que está se conhecendo no sexo, está se descobrindo... Não quero que seja apenas mais uma na minha vida."
(Percebia mágoa em seu passado. Olhando nos meus olhos, dizia com firmeza:)
"- Ouça, preste atenção. Eu vou te realizar além do que você possa imaginar. Saiba dar tempo ao tempo... "
E então me abraçou com calor e afeto.
Não havia clima para nada íntimo, ficávamos deitados, conversando. Edy queria saber todos os detalhes, como foi, o que senti, quais eram minhas expectativas ao sair com Matheus. Eu contava tudo.
No sexo anal, eu tenho mais prazer com o pau do Matheus, por ser menor que o seu. Edy explorava meu prazer, buscava detalhes e mais detalhes, a conversa seguia entre toques em meu corpo, percorria minha virilha, chegando até minha buceta, que já estava molhada de desejo...
" As recordações te excitam? " perguntou.
"- Os meus desejos, sim. O que podia ter sido diferente..." respondi, já perdendo o fio da conversa, distraída pelos dedos dele dedilhando meu grelo. Edy me desejava, o olhar dele era claro, queria me perdoar num gesto de entrega.
Ele se levantou, foi até o carro e voltou com uma venda. Colocou-a em mim, deixando-me deitada, e sussurrou ao meu ouvido:
"- Serei eu aqui, mas para você vendada, sou um estranho neste momento. Conduza como se fosse uma traição. Não tenha medo, se solte..."
Gozei inteira só com a proposta. Conheço bem o meu homem, ainda mais com as dicas da minha tia.
Edy me seduzia como um amante experiente. Seus toques eram diferentes, novas formas de senti-lo, o que me excitava profundamente. Ele chegava até meus pés, chupava meus dedos, e sua boca quente atiçava meus desejos. Veio a mim com beijos ardentes, segurando um dos meus pés, abaixando os dedos e deixando apenas o dedão exposto… eu sentia seu ânus ali. Meu coração pulsava com o prazer que ele me proporcionava, era tão intenso, tão claro.
Voltou a me beijar, dos seios até a boca. Eu segurava seu pau duro como uma barra de aço pulsante. Com a outra mão, Edy chupava meus dedos enquanto colocava seu pau na minha boca. Aquela cabeçona não cabia por completo, e eu sentia sua mão guiando a minha, até que meu dedo adentrou o cu dele. Inexperiente, eu não fazia nada, só deixava ele conduzir. Era estranho não ver nada e, mesmo assim, sentir tudo. Na minha mente, surgia a conversa com Matheus, me perguntando se Edy gostava de rola…
Edy me colocou de quatro, ouvi o som da camisinha sendo aberta. A penetração foi diferente, ele entrava devagar, conduzindo, e, ao mesmo tempo, seus dedos estimulavam meu grelo, aguçando ainda mais meu desejo. Após sua ausência, sentir aquele pau me invadir até o talo era enlouquecedor; parecia que ele alcançava minha garganta.
Os orgasmos vinham intensos, do jeito que ele me possuía, abraçando-me por trás, moldando meus seios. Na posição de quatro, Edy sussurrava palavras de humilhação no meu ouvido, como:
"- Tá igual uma cadela no cio, saciando sem precisar olhar pra esse rosto de vagabunda…"
Me senti ofendida e tentei sair, Edy me segurou firme e enterrou o pau com força.
"- Me larga!" pedi.
Ele me deu um tapa na bunda. Depois outro.
"- O próximo é com o bambu."
Parei, me controlei, deixei Edy me usar. Mas, naquele momento, meu tesão acabou. Percebendo me virou de frente e voltou a me possuir. Eu já não tinha mais tanto ânimo, até que ele voltou a sussurrar:
"- Fala, Edy, você é um corno…"
Fiquei em choque. Ele pediu mais uma vez. Era demais pra minha cabeça. Insano, tem pegadinha. . .
... e na terceira vez, eu disse:
"- Você é um corno."
Edy segurou firme meus pulsos e mandou repetir mais alto
"- EDY, VOCÊ É UM CORNO!" , gritei.
E foi ali que senti seu pau crescendo ainda mais, ele se excitava com aquilo. Voltei a me empolgar, a rebolar com vontade, a xingá-lo. Nos finalmentes, ele tirou a venda dos meus olhos, me encarou e declarei:
" -Te amo, meu corninho…"
Tirou o pau e gozou no meu rosto, o chupei ainda latejando, enquanto ele continuava a gozar, em seguida Edy me beijava, mesmo com meu rosto lambuzado de esperma, sem se importar. Era insano. Doentio. Mas real.
Depois de nos recompor no banho, voltamos para casa. Eu tinha horário pra chegar, meus pais eram rígidos, não permitiam que eu dormisse fora. Voltamos como se nada tivesse acontecido.
Todo o medo e o terror que dominavam minha mente na ausência dele, se dissipavam com a sua presença. Na porta de casa, com meus pais espiando pela janela, Edy disse:
" -Não brigue com eles. Entre feliz e sorridente. E lembre-se: jamais faça isso de novo. A chance é única. Eu te amo muito.
No meu quarto, meu paraíso, agradeci em silêncio e chorei de alegria. Eu estava praticamente com o pé na rua… e fui resgatada. Valorizada. Ainda tinha muito a amadurecer.
Ref.: 1995 #0009









